Terra, terra!

Os elementos de terras raras e, de maneira mais geral, os minerais críticos tornaram-se um dos temas centrais da competição econômica e geopolítica do século XXI, além de uma oportunidade de investimento amplamente reconhecida. Sua crescente importância não decorre tanto de sua raridade geológica, mas do papel essencial que desempenham no desenvolvimento das principais tecnologias emergentes. Veículos elétricos, turbinas eólicas, inteligência artificial, centros de dados, robótica, aeroespacial, semicondutores e sistemas de defesa dependem, de fato, de materiais que, até poucos anos atrás, eram considerados marginais em relação às grandes commodities tradicionais.

Nos últimos anos, o debate público frequentemente apresentou as terras raras como “o novo petróleo”, alimentando a ideia de que elas representam automaticamente uma oportunidade de investimento extraordinária. Essa interpretação, embora capte alguns aspectos reais do fenômeno, é excessivamente simplificada. Elaboramos um relatório cujo principal objetivo foi justamente superar essa visão, analisando o setor sob uma perspectiva econômica, industrial e financeira.

De fato, acreditamos que se destaca a necessidade de distinguir claramente entre terras raras e minerais críticos. As primeiras constituem uma família de dezessete elementos químicos pertencentes aos lantanídeos, aos quais se somam o escândio e o ítrio. Os segundos, por sua vez, representam um conjunto muito mais amplo de matérias-primas consideradas estratégicas pelas principais economias mundiais, em função de sua importância industrial e do risco de abastecimento. Materiais como gálio, germânio, grafite, lítio, tungstênio e antimônio não pertencem às terras raras, mas revestem-se hoje de uma importância estratégica pelo menos equivalente.

A dimensão geopolítica vem, há alguns meses, dominando também o contexto financeiro, e o setor das terras raras e dos minerais estratégicos certamente não está alheio a esse contexto. O domínio da China sobre esses materiais não se deve exclusivamente à disponibilidade de recursos minerais. Ao longo dos últimos trinta anos, Pequim construiu um ecossistema industrial integrado que abrange a extração, o refino, a produção de metais, a fabricação de ímãs permanentes e o desenvolvimento das indústrias usuárias. Essa abordagem permitiu ao país adquirir uma vantagem competitiva que vai muito além do simples controle dos jazigos minerais.

Ao contrário do que se costuma acreditar, o valor econômico não se concentra na mina, mas nas etapas subsequentes da cadeia produtiva. A refinação de terras raras, a produção de ligas especiais, a fabricação de ímãs permanentes e a produção de componentes tecnológicos representam as atividades caracterizadas pelo maior conteúdo tecnológico, pelas maiores barreiras à entrada e pelas margens econômicas mais atraentes. Esse aspecto também altera profundamente a maneira como o setor deve ser avaliado pelos investidores.

É natural questionar-se sobre como o chamado “Ocidente” reage a esse domínio chinês. Estados Unidos, União Europeia, Japão, Austrália e Canadá estão investindo recursos vultosos para desenvolver novas minas, instalações de refino e capacidade de reciclagem, com o objetivo de reduzir a dependência da China e aumentar a resiliência de suas cadeias de abastecimento. No entanto, é improvável que tal processo resulte, no curto prazo, na substituição da primazia chinesa. Parece mais realista um cenário caracterizado por uma diversificação geográfica gradual da produção e pelo surgimento de cadeias regionais integradas.

Do ponto de vista financeiro, “investir em terras raras” representa uma generalização que pode levar a avaliações equivocadas. Cada elemento possui, de fato, seu próprio mercado, diferentes perspectivas de crescimento, diversos níveis de substituibilidade e aplicações industriais específicas. Da mesma forma, as empresas da cadeia de valor também apresentam modelos de negócios profundamente diferentes: uma empresa de mineração, uma refinaria e um fabricante de ímãs permanentes estão expostos a riscos e oportunidades completamente distintos.

A análise das oportunidades de investimento sugere que os segmentos mais promissores não coincidem necessariamente com a atividade de extração. As perspectivas mais interessantes parecem concentrar-se nas empresas capazes de atuar nas fases da cadeia de valor caracterizadas por alto conteúdo tecnológico, barreiras significativas à entrada e forte integração vertical. O crescimento da demanda por materiais críticos representa certamente um fator favorável, mas não garante automaticamente retornos elevados. A qualidade do modelo industrial, a posição competitiva ao longo da cadeia de valor e a solidez financeira das empresas continuam sendo fatores determinantes para o sucesso de um investimento.

O setor está exposto a inúmeros fatores de risco. Entre os principais, destacam-se a volatilidade dos preços das matérias-primas, a evolução das tecnologias, o eventual desenvolvimento de materiais substitutos, as decisões de política industrial dos governos e as tensões geopolíticas. Por esse motivo, um investimento em materiais críticos requer uma abordagem seletiva e uma avaliação aprofundada de toda a cadeia industrial, em vez de uma simples exposição às empresas de mineração.

De modo geral, podemos concluir que as terras raras e os minerais críticos não representam nem uma moda passageira nem um investimento inevitavelmente lucrativo. Constituem, ao contrário, um conjunto de cadeias estratégicas destinadas a desempenhar um papel cada vez mais importante na economia mundial. As oportunidades mais interessantes surgirão provavelmente nas empresas capazes de transformar uma matéria-prima em um produto de alto conteúdo tecnológico, mais do que naquelas que se limitam à atividade de extração. Em última análise, a verdadeira competição não diz respeito apenas ao controle dos recursos naturais, mas à capacidade de desenvolver competências industriais, tecnologias de refino e produções avançadas. É ao longo dessa cadeia de valor que se concentrarão as principais vantagens competitivas da próxima década e, com elas, as oportunidades de investimento mais interessantes.

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