Apollo!

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Como está a situação do crédito privado? Cada nova notícia a esse respeito nos leva a fazer atualizações. Esta semana, o caso é o da Apollo Global Management, que está limitando os reembolsos porque — como já repetimos várias vezes — os fundos “semilíquidos” estão revelando sua contradição estrutural: acesso a retornos mais elevados versus liquidez limitada. Os investidores de alto patrimônio líquido (HNWI) estão acelerando os pedidos de resgate: cerca de US$ 11,7 bilhões solicitados, mas apenas cerca de 66% atendidos (veja o gráfico).

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A liquidez é gerenciada, não garantida. Esse é o mantra que todo investidor deveria repetir para si mesmo.

Além do bloqueio dos reembolsos, a Apollo apresentou outros sinais de deterioração, como a primeira perda mensal de -0,07% em mais de três anos; o desempenho acumulado caiu para 7% (abaixo da média histórica) e a rotação defensiva com redução da exposição dos empréstimos a empresas de software.

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Já dissemos e repetimos isso em várias análises: no crédito privado, o risco de mercado é sempre ocultado do investidor, pois, na ausência de cotações públicas, não seria possível agir de outra forma. O risco deve, portanto, ser avaliado e parametrizado de acordo com outras lógicas e variáveis, como o alargamento dos spreads (em relação ao crédito cotado); o risco de concentração (atualmente no setor de software) e a falta de coordenação dos vencimentos.

Se há pelo menos um aspecto positivo que essa situação de alerta no setor trouxe à tona, poderíamos citar, em primeiro lugar, a mudança de percepção sobre essa classe de ativos, que passa de “rendimento estável + baixa volatilidade” (visão totalmente distorcida) para sua definição factual: uma forma de crédito ilíquido com avaliação discricionária e liquidez condicionada.

A mensagem para os investidores é clara: a liquidez é apenas uma ilusão (falaríamos de “armadilha” se a expressão já não tivesse sido reservada para outros contextos) que implica um estudo aprofundado das regras de reembolso dos veículos de investimento. Mas, a esse respeito, encontramos um segundo aspecto positivo: a gestão dos reembolsos foi, em nossa opinião, impecável e, longe de prejudicar o investidor frustrado que recebeu apenas parte dos reembolsos solicitados, protegeu adequadamente os investidores remanescentes e protegerá os novos participantes.



Isenção de responsabilidade

Este post expressa a opinião pessoal dos colaboradores da Custodia Wealth Management que o redigiram. Não se trata de conselhos ou recomendações de investimento, nem de consultoria personalizada, e não deve ser considerado como um convite para realizar transações com instrumentos financeiros.